Acredito que as pessoas que realmente escrevem tem o dom de verbalizar o que muitas já sentiram, mas não conseguem passar para o papel. A facilidade com a qual os escritores fazem isso é sensacional. Esse poder de capturar algo do invisível e transformar em descrição de sentimentos, conflitos, angústias, felicidades, cores, formas, tamanhos... evoca uma identificação com seus leitores e é por essa razão que eles se tornam eternos.
Apaixonada por Fernando Pesssoa, mais especificamente pelo que escreve sob o pseudônimo de Alberto Caeiro, postarei aqui algo que me identifico sobre seus pensamentos.
"Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todas as sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto.
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
(Alberto Caeiro - O Guardador de Rebanhos / Fernando Pessoa)

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